terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ressurreição (1)

Evangelho de Lucas cap. 24:13-35. Por que após sua ressurreição Jesus permaneceu algum tempo na terra? Por que não teria sido assunto ao céu logo em seguida? Precisaria caminhar de novo com pessoas que lhe conheciam? Precisaria caminhar e entrar em vilas ( como em Emaús)? Assar peixe, esperando seus discípulos pescadores? Recontar as Escrituras....e partir pão e ainda comer com mel na presença deles...?
O insight aqui, que contou com grande ajuda do livro de N.T. Wright ( Surpreendido pela Esperança), primeiramente é que assim Jesus mostra que a nova vida, demonstrada por Sua ressurreição, tinha começado. A ressurreição não se torna assim,  mitológica ou lendária. O novo grupo que surgiria, que ficou conhecido como igreja, não teria um mistério ou mito ou algo assim para basear sua crença principal. Era preciso haver testemunhas de que uma nova humanidade tinha sido inaugurada em Cristo. Alguém tangível, podendo ser percebido pelos sentidos do corpo, tato, visão, audição, olfato e paladar....alma ( "não nos ardia o coração, quando ele pelo caminho nos falava?") e espírito ("quando nos expunha as Escrituras?")
Deus mostrava Sua criação mais uma vez, dessa vez através do Homem perfeito, que vencera onde o primeiro falhou.
Segundo: a ressurreição deixa de ter apenas o caráter futurístico ou escatológico. Jesus ressurreto mostra que o futuro de fato já começou. Ser discípulo cristão é viver nascido de novo em Cristo. Realidade obtida pela ressurreição de Cristo que é transferida ao que creu, pelo Espírito Santo (posteriormente, após o pentecostes).
Terceiro: vejo o cumprimento da oração do Pai nosso, se cumprindo nesses dias em que Jesus depois de ressuscitado pisou na terra: "Venha o teu Reino" - Ele trouxe o Reino, agora - "Assim na terra como no céu" - rompeu a separação entre céu e terra. Agora é "assim", da mesma forma, na terra e no céu. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje"....
Isso é o quarto ponto desta meditação: Peixes, pães, favo de mel em vilas, cidades e reuniões entre amigos passam a ter a presença de Deus. Não são mais realidades separadas de Deus, coisas simplesmente terrenas. Deus está na terra tocando essas coisas e assim as ligando Consigo na Sua nova criação.
Conclusão: "Portanto, já não vivo eu, mas Cristo vive em mim". E antes de ser mais uma religião com seus mitos e suas crenças, ser cristão é viver a nova vida assim na terra como no céu.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Novo Homem

30 anos de silêncio de Jesus enquanto viveu em Nazaré (As imagens nos slides são de ruínas da antiga vila). Geografia do crescimento de Sua humanidade. Em tempos de exaltação do humanismo, creio, ser importante meditar na humanidade de Jesus. Esta é a nova criação de Deus. O novo homem de Deus. Ele Se encarnou, e foi criado na terra como todos os homens, sob o cuidado de Seu Pai. Gosto de pensar e imaginar Jesus na carpintaria de seu pai adotivo (José). Cuidando durante 30 anos de objetos de camponeses e pastores, seus vizinhos. Imagino que esses objetos passavam de pai para filho (não havia consumismo industrial ainda), e deveriam ser consertados sempre. Repetição. Uma mente normal ficaria condicionada ao reducionismo. A mente, a alma e espiritualidade de Jesus cresciam: "Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele" - Lucas 2:40.
Intelecto, emoção e vontade formados pela consciência de Deus, e não pelas batidas repetidas de martelos em pregos nem pelo universo cultural da vila durante 30 anos.
Razão, emoção e vontade em harmonia. Inteligência e afetividades não divididas, mas integradas pelo amor a Deus. A vontade em Jesus não está em contradição com sua inteligência e emoção. Assim, a vontade de Deus é feita sem oposição : “ A vontade é a cidadela contra a qual se dirigem todas as forças da tentação, e dentro desta cidadela Jesus rechaçou estas tentações sob a luz de uma inteligência clara e no poder de uma afeição não dividida”.

Seu físico não foi afetado (depois de 35 anos nos aposentamos, Jesus após 30 anos de trabalho começou seu ministério). Ao invés de falência física, Jesus estava crescendo durante esse tempo em Nazaré.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

TEOFOBIA

"Teofobia". Neologismo: medo de Deus. Aversão a Deus. Rejeição a Deus. Seria um passo a mais no movimento de se esconder de Deus. De fingir-se que Ele não está perto, ou que não se está ouvindo Sua voz. Essa reflexão vem do momento em que Adão, nu e escondido no paraíso, responde a Deus que por estar nu, teve medo.
Medo primitivo em relação a Deus, pai de todos os medos. Nessa condição humana, a voz de Deus não é um chamado á comunhão no fim do dia. Não é a voz de um pastor, conhecida, amigável, nem é transmissora de segurança e paz. Ouve-se, essa qualidade não foi perdida, mas o resultado é a perturbação da alma, a insegurança, o autonomismo que produz o medo.  
Contudo, a voz de Deus não mudou. Mas a percepção humana havia mudado, sim.
A teofobia tem se multiplicado por conta da multiplicação da humanidade sem relacionamento com Deus. 
Mas a mensagem de vida dos profetas e dos apóstolos é para a vida com Deus, e no Novo Testamento é revelado como se vive esta vida: a partir de uma nova humanidade i.e., a de Cristo.
Jesus exemplifica uma humanidade sem teofobia, mas em harmonia com Deus. Está na "oração do Pai Nosso". "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu". Enquanto habitante da terra, Jesus alcança o céu, sabendo que ambos N´Ele estão unidos. Não há medo aqui. Pode então, invocar a existência do reino de Deus.
"O perfeito amor lança fora todo o medo", escreveu o apóstolo João. Se ele aplicou isso a sua vida, como creio que aplicou, por isso pode ver a Revelação. Pode estar numa ilha enquanto sentenciado pelo Império Romano, e mesmo assim, entrou no céu, no céu que um dia descerá, e como Jesus orou, céu que virá para constituir tudo novo. Será que é pela falta de teofobia em João, que seu apocalipse está cheio de "vi", "ouvi"? João não só vê e ouve, como pergunta, chora, se emociona, participa. Torna-se inclusive, o cronista da tudo o que vive. Sem medo ouviu Jesus, e foi chamado a entrar nas moradas de Deus.
Portanto, não pode haver teofobia em quem nasceu de novo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Realmente insubstituível

"Theres is no substitute for Theology". Quem escreveu isso foi A. W. Tozer em um de seus artigos. Respondia então, porque a Teologia estava tão "desinteressante" para o mundo materialista e humanista de quase 60 anos atrás (Que dirá hoje...). Não que a Teologia tenha perdido sua importância, mas seu desfavorecimento se deve ao fato das pessoas se esconderem de Deus, e assim para viverem em paz consigo mesmas, melhor esquecerem que não estão em paz com Ele. Claro. Faz sentido. Dá para entender melhor certos comportamentos.... dos de fora, e pior dos de dentro. Sem Teologia a cabeça não regenerada torna-se uma usina do existencialismo. E sem Deus a quem tenha de se responder pelos pensamentos e ações, não há responsabilidade. Não há nem fatos, porque se "nada fiz", logo "nada aconteceu".
Mais ainda: para quê me importar com assuntos teológicos se ao procurar saber sobre o amor de Deus, aprendo que devo prática-lo e não apenas conhece-lo?  Para que investir tempo e aprofundar-me sobre o caráter santo de Deus, se ao olhar para aquela luz, não será possível me acomodar prazerosamente em meio ás trevas?
"The secret of life is theological and the key to heaven as well. We learn with difficulty, forget easily and suffer many distractions. Therefore we should set our hearts to study theology", disse o Pr. Tozer.
Tozer é um mestre e pastor no sentido de guiar pelas "antigas veredas" do caminho santo.



terça-feira, 30 de novembro de 2010

A Encarnação de Cristo - Christ Incarnation


Para não cair no lugar-comum da crítica sem solução, então passemos a falar de Cristo. A buscar pelas Escrituras, e em autores "esquecidos" como Campbell Morgan, alguns significados da Encarnação de Cristo.
Poucos autores hoje ( pelo menos best-sellers, daí fora das prateleiras) escrevem sobre os grandes insights da Teologia Cristã, como a Encarnação. Mas toda a Teologia Cristã fica comprometida se não se compreende porque Deus teve de se tornar Homem, em carne e osso.
A forma quase gnóstica como Deus é adorado atualmente, é resultado direto do não conhecimento, meditação e práticas cristãs do que significa a Sua encarnação.

Falando de Jesus

Francis Schaeffer escreveu uns quarenta e tantos anos atrás, que o problema do Cristianismo seria a ausência do Cristo das Escrituras, isto é, a próxima geração (a atual) experimentaria isso. Concordo e me incomodo. Costumo dizer que o Schaeffer foi um profeta através do intelecto cristão. O Cristianismo atual fala de muitas coisas, mas ouço e vejo pouco sobre Cristo. Toda essa geração está crescendo sem saber quem Ele é. Muito discurso midiático, muito modismo gospel, muitas performances esquemáticas, muita música, muita pregação, congressos, encontros, summits, etc....mas nada do Filho do Homem, a não ser, para não ser injusto, uma invocação de Seu Nome.
Essa é a tendência mais expressiva no Cristianismo Ocidental pós-moderno. Aquela que aparece nos meios de comunicação, nas mídias.
Há outra tendência: os que criticam esses comportamentos. Eticamente corretos, criticam, publicam, afastam-se das igrejas, querem mudar suas formas. Não é nada disso, nem daquilo. Mas desses também não ouço falar de Jesus Cristo desse lado do oceano cristão.
Cristianismo sem Cristo.
A esperança de tudo isso mudar, para mim, é a seguinte: Ele está presente. Desde que ressuscitou e enviou Seu Espírito, está presente. Por isso, enquanto estiver presente, há esperança. Aquela que Paulo nomeou aos Colossenses: "Cristo em vós, a esperança da glória".
Cristo se tornou um mistério.
O lado bom disso é que aos que O querem conhecer, as Escrituras e o Espírito estão ao nosso alcançe.
"Resolvi nada saber entre vocês, a não ser Cristo", disse o apóstolo. O apóstolo. Apóstolo é aquele que é enviado para trazer a revelação de Cristo. De Cristo, não de coisas passageiras, como a glória no rosto de Moisés.
Então, quero ir ao encontro de Cristo das Escrituras. Assim crendo, não sofrerei a angústia do ministro de Candace, na sua liteira e lendo Isaías: "De quem o profeta está falando?"

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A revelation to the romans

Como de fato se consolida a vida cristã? Como de fato tenho certeza de que estou vivendo algo mais com Deus, com a espiritualidade, com o mundo visível, desde que me tornei cristão?

O cristianismo está cheio de fórmulas e clichês. Pode parecer, mas isso não é de hoje. É coisa de séculos. A diferença é que na pós-modernidade não há longa duração de uma concepção teológica, a ponto de se tornar parte de uma cultura.

Quando alguém se converte, aliás desde o momento de sua conversão, são apresentadas fórmulas: "Aceite que sua vida vai mudar"; "É só aceitar Jesus"; "Você vai receber a vitória seguindo Jesus...(aqui nesta igreja X ou Y)"; "Procure o poder do Espírito Santo para derrotar..." etc.

Acontece que tirando a graça e a misericórdia transformadoras de Deus, estas fórmulas com o tempo, parecem que não resolvem. Parece que a vida mudou em algum sentido, mas não pleno, não como "sinto" que deveria ser.

Então, encontramos em Romanos 6 o caminho: "fomos pois sepultados com ele na morte pelo batismo; para que como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida(...) sabendo isto: que foi cricificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos".

Isso não é uma fórmula para se viver feliz. É o caminho para ser cristão. O primeiro passo neste novo e vivo caminho é considerar-se morto com Cristo, em sua morte, pelo (meu) batismo. E mais ainda pela fé, sabendo que já estou ressuscitado para uma nova vida sem necessariamente a realidade do viver pecaminoso. Minha vida foi "zerada". Nasci de novo. Não simplesmente entrei para a igreja evangélica para ter experiências por lá.

No slide anexo há uma representação de Romanos 7: "porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido á escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim". Porque Paulo começa a tratar do tema que esta nova vida é para ser desenvolvida de forma diferente. Mas muitos cristãos.... milhares....vivem no desespero de Romanos 7. Então procuram a Lei ( que é boa e espiritual, segundo o texto), para se abrigar, para fugir da imoralidade, das velhas lembranças, da procrastinação, das mentiras, das falhas, dos deslizes, da ira, da maledicência... do pecado enfim....

Acontece que a Lei ao ser invocada, e ela é invocada no cristianismo toda hora... a Lei é algo incompreendido e mal usado no cristianismo.. ao apelar-se para a lei, na tentativa de me libertar do pecado, a única coisa que ela pode fazer é mostrar que estou (e que sou ) no pecado. É a sua função básica. Aí que muitos caem. Outros fazem da Lei uma parceira, ou uma trincheira para viverem escondidos de seus pecados, como se eles não houvessem mais. Aumenta a culpa. Aumenta a carga... aumenta o crédito do pecado. Porque a Lei sempre vai me mostrar o final de tudo isto: "o salário do pecado é a morte".

Mas....não estou morto com Cristo? Não está escrito que o corpo do pecado está destruído?

Sim. Aí que devemos apelar para a obra de Cristo na Sua cruz. Nesta luta entre minha consciência cristã para o bem, e dos meus membros para o mal que não quero fazer, não é a Lei que me salva, mas a graça da cruz. O perdão, a redenção, o morrer com Cristo, como foi vivido no drama do batismo. E seguindo o roteiro do mesmo drama: estou ressuscitado com Cristo.

Esse é o poder incutido pelo Espírito Santo, para que o corpo do pecado seja morto, completamente aniquilado e assim desfeito o seu poder de atuação em minha nova vida cristã.

E isso nos leva a Romanos 8. A vida cristã não é pela Lei, nem por fórmulas mágicas, ou humanistas, ou por auto-ajudas, nem por "auto" algumas. Onde antes havia o poder da Lei, agora há a Pessoa do Espírito Santo. É para Ele que apelo. É Ele quem vem andar comigo nesta novidade de vida. Quando meus membros quiserem se rebelar e me tentarem me carregar de volta ao pecado deste mundo visível ou invísivel, O Espírito Santo vai operar em mim. Vai trazer a morte e a ressurreição de Cristo como uma realidade. Ele vai confirmar a vitória sobre a carne com paz... Cessa o conflito interior, entre meu ser interior e meus membros. Cessa o conflito entre eu e as outras pessoas. Já não há mais transferência de culpas e acusações. Essa paz...a paz que o mundo não conhece porque não pode me dar.

Assim juntos, estarei sendo preparado diariamente para o Encontro, para a Transformação na Eternidade. Enquanto isso sou testemunha da presença viva de Cristo na Terra. Ele está atuando. Desde que subiu ao céu depois de Sua ressurreição, enviou o Espírito Santo e assim há, como diz o N.T. Wright o ponto de encontro entre o céu e a terra.

Quando a Igreja de Cristo não for mais um lugar do desenvolvimento de teorias, filosofias, esquemas e fórmulas... quando nós vivermos nessa plenitude do Espírito e não da condenação da lei...o mundo conhecerá o Evangelho.