Primeiro dia da semana, um domingo portanto, logo após a crucificação de Jesus na sexta.
Mulheres foram ao sepulcro. "Diziam umas ás outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?"
A sequência é dramática. Se Marcos é o primeiro dos evangelhos a ser escrito, mantem a característica de ser uma revelação. Este momento devia ser o clímax, quando lido nas igrejas. Este devia ser o clímax do Evangelho. Aquela morte trouxe algo extraordinário ao mundo. Se a Encarnação de Deus já seria o máximo, Sua vida terrena, Sua morte voluntária e expiatória...culminaria num novo cenário para o mundo: Sua ressurreição.
"Quem nos removerá a pedra do sepulcro?" se torna uma pergunta emblemática nos dias atuais. Como veremos Jesus Cristo, e este ressuscitado?
Arqueologia como ciência que busca as origens, as raízes ocultas pelo tempo. O trabalho de desencavar e trazer á luz algo antigo, mas que novo se torna. Uma tentativa de se fazer a arqueologia de alguns saberes, tais como das Escrituras; da vida cristã; do político e da cidadania; do cultural; do texto, seja ficção ou não; da Teologia.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
CULTIVO
Estou lendo o último livro do N.T. Wright, "Eu creio. E agora? (Por que o caráter cristão é importante". Este livro responde a perguntas que tenho feito há muito tempo. Espero colocar uma resenha ou algo assim, em partes, no blog. Mas, ontem lendo o Capítulo "Três virtudes, nove variedades de fruto e um corpo", encontrei esta pérola: "É o seguinte: o ´fruto do Espírito´não cresce automaticamente (...) Isso não significa, contudo, que daí em diante tudo será um mar de rosas. As novidades não passam de brotos e para chegar ao fruto é preciso aprender a ser jardineiro. É preciso descobrir como cuidar, podar, irrigar o solo, afastar pássaros e esquilos. É necessário observar geadas e fungos, eliminar a hera e outros parasitas que sugam a vida da árvore e assegurar que o tronco frágil fique firme quando atingido por um vento forte. Só assim o fruto aparecerá". Pág. 194.
Isto é verídico tanto para a vida pessoal cristã, de quem já recebeu o Espírito Santo na salvação e testifica que o mesmo está trabalhando em sua vida (caráter, como alvo de deste testemunho); quanto para o testemunho da vida cristã no Corpo de Cristo que é a Igreja.
O trabalho pastoral é intenso: tem de cuidar de si mesmo, como recomenda Paulo, e cuidar do jardim do Senhor. Como agricultor sua alegria está na esperança: a árvore dará frutos ( "não importa que o fruto da oliveira minta", como disse o Habacuque); e no presente cada sinal de fruto é motivo de alegria.
Sinal de fruto pode ser um raminho que não morreu com a última investida de uma velha ou nova praga. A vida continua. Algo novo está brotando e por isso vale a pena cultivar. E claro, muita fé e sobretudo amor como virtude a ser cultivada, ainda na leitura do Wright.
Isto é verídico tanto para a vida pessoal cristã, de quem já recebeu o Espírito Santo na salvação e testifica que o mesmo está trabalhando em sua vida (caráter, como alvo de deste testemunho); quanto para o testemunho da vida cristã no Corpo de Cristo que é a Igreja.
O trabalho pastoral é intenso: tem de cuidar de si mesmo, como recomenda Paulo, e cuidar do jardim do Senhor. Como agricultor sua alegria está na esperança: a árvore dará frutos ( "não importa que o fruto da oliveira minta", como disse o Habacuque); e no presente cada sinal de fruto é motivo de alegria.
Sinal de fruto pode ser um raminho que não morreu com a última investida de uma velha ou nova praga. A vida continua. Algo novo está brotando e por isso vale a pena cultivar. E claro, muita fé e sobretudo amor como virtude a ser cultivada, ainda na leitura do Wright.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Jesus Cristo : A Tentação
Reflexão a partir dos relatos dos Evangelhos sobre o momento em que Jesus foi ao deserto, depois de seu batismo, para ser tentado.
Alguns pontos no conteúdo dos slides podem mudar vários conceitos que estão arraigados na cultura cristã:
É parte do plano da redenção: Seu Filho, Filho do Homem, precisava vencer onde o primeiro homem perdeu. A novo mundo de Deus está sendo estabelecido passo a passo ( neste caso nos passos de Jesus Cristo);
satanás foi desafiado e confrontado por Jesus. Geralmente, temos a noção que foi levado lá pelo diabo. Embora os evangelhos digam que foi levado pelo Espírito. Olhando o conflito pela iniciativa de Deus, entendemos melhor o porquê da tentação. Não se trata "apenas" de Jesus ser tentado e não cair. Trata-se de restauração da imagem do Deus Trino na terra que Ele criou.
Depois, os significados, resultados e aplicações da vitória de Jesus sobre a tentação são muito relevantes para a vida humana redimida em Cristo.
Se Cristo for o modelo a ser seguido e não a cultura criada em nome Dele, sua vitória sobre a tentação no deserto, será mais efetiva nas pessoas, principalmente as que professam segui-Lo.
(Fonte p/ os slides: Las Crisis de Cristo - Campbell Morgan)
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Ressurreição (1)
Evangelho de Lucas cap. 24:13-35. Por que após sua ressurreição Jesus permaneceu algum tempo na terra? Por que não teria sido assunto ao céu logo em seguida? Precisaria caminhar de novo com pessoas que lhe conheciam? Precisaria caminhar e entrar em vilas ( como em Emaús)? Assar peixe, esperando seus discípulos pescadores? Recontar as Escrituras....e partir pão e ainda comer com mel na presença deles...?
O insight aqui, que contou com grande ajuda do livro de N.T. Wright ( Surpreendido pela Esperança), primeiramente é que assim Jesus mostra que a nova vida, demonstrada por Sua ressurreição, tinha começado. A ressurreição não se torna assim, mitológica ou lendária. O novo grupo que surgiria, que ficou conhecido como igreja, não teria um mistério ou mito ou algo assim para basear sua crença principal. Era preciso haver testemunhas de que uma nova humanidade tinha sido inaugurada em Cristo. Alguém tangível, podendo ser percebido pelos sentidos do corpo, tato, visão, audição, olfato e paladar....alma ( "não nos ardia o coração, quando ele pelo caminho nos falava?") e espírito ("quando nos expunha as Escrituras?")
Deus mostrava Sua criação mais uma vez, dessa vez através do Homem perfeito, que vencera onde o primeiro falhou.
Segundo: a ressurreição deixa de ter apenas o caráter futurístico ou escatológico. Jesus ressurreto mostra que o futuro de fato já começou. Ser discípulo cristão é viver nascido de novo em Cristo. Realidade obtida pela ressurreição de Cristo que é transferida ao que creu, pelo Espírito Santo (posteriormente, após o pentecostes).
Terceiro: vejo o cumprimento da oração do Pai nosso, se cumprindo nesses dias em que Jesus depois de ressuscitado pisou na terra: "Venha o teu Reino" - Ele trouxe o Reino, agora - "Assim na terra como no céu" - rompeu a separação entre céu e terra. Agora é "assim", da mesma forma, na terra e no céu. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje"....
Isso é o quarto ponto desta meditação: Peixes, pães, favo de mel em vilas, cidades e reuniões entre amigos passam a ter a presença de Deus. Não são mais realidades separadas de Deus, coisas simplesmente terrenas. Deus está na terra tocando essas coisas e assim as ligando Consigo na Sua nova criação.
Conclusão: "Portanto, já não vivo eu, mas Cristo vive em mim". E antes de ser mais uma religião com seus mitos e suas crenças, ser cristão é viver a nova vida assim na terra como no céu.
O insight aqui, que contou com grande ajuda do livro de N.T. Wright ( Surpreendido pela Esperança), primeiramente é que assim Jesus mostra que a nova vida, demonstrada por Sua ressurreição, tinha começado. A ressurreição não se torna assim, mitológica ou lendária. O novo grupo que surgiria, que ficou conhecido como igreja, não teria um mistério ou mito ou algo assim para basear sua crença principal. Era preciso haver testemunhas de que uma nova humanidade tinha sido inaugurada em Cristo. Alguém tangível, podendo ser percebido pelos sentidos do corpo, tato, visão, audição, olfato e paladar....alma ( "não nos ardia o coração, quando ele pelo caminho nos falava?") e espírito ("quando nos expunha as Escrituras?")
Deus mostrava Sua criação mais uma vez, dessa vez através do Homem perfeito, que vencera onde o primeiro falhou.
Segundo: a ressurreição deixa de ter apenas o caráter futurístico ou escatológico. Jesus ressurreto mostra que o futuro de fato já começou. Ser discípulo cristão é viver nascido de novo em Cristo. Realidade obtida pela ressurreição de Cristo que é transferida ao que creu, pelo Espírito Santo (posteriormente, após o pentecostes).
Terceiro: vejo o cumprimento da oração do Pai nosso, se cumprindo nesses dias em que Jesus depois de ressuscitado pisou na terra: "Venha o teu Reino" - Ele trouxe o Reino, agora - "Assim na terra como no céu" - rompeu a separação entre céu e terra. Agora é "assim", da mesma forma, na terra e no céu. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje"....
Isso é o quarto ponto desta meditação: Peixes, pães, favo de mel em vilas, cidades e reuniões entre amigos passam a ter a presença de Deus. Não são mais realidades separadas de Deus, coisas simplesmente terrenas. Deus está na terra tocando essas coisas e assim as ligando Consigo na Sua nova criação.
Conclusão: "Portanto, já não vivo eu, mas Cristo vive em mim". E antes de ser mais uma religião com seus mitos e suas crenças, ser cristão é viver a nova vida assim na terra como no céu.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Novo Homem
30 anos de silêncio de Jesus enquanto viveu em Nazaré (As imagens nos slides são de ruínas da antiga vila). Geografia do crescimento de Sua humanidade. Em tempos de exaltação do humanismo, creio, ser importante meditar na humanidade de Jesus. Esta é a nova criação de Deus. O novo homem de Deus. Ele Se encarnou, e foi criado na terra como todos os homens, sob o cuidado de Seu Pai. Gosto de pensar e imaginar Jesus na carpintaria de seu pai adotivo (José). Cuidando durante 30 anos de objetos de camponeses e pastores, seus vizinhos. Imagino que esses objetos passavam de pai para filho (não havia consumismo industrial ainda), e deveriam ser consertados sempre. Repetição. Uma mente normal ficaria condicionada ao reducionismo. A mente, a alma e espiritualidade de Jesus cresciam: "Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele" - Lucas 2:40.
Intelecto, emoção e vontade formados pela consciência de Deus, e não pelas batidas repetidas de martelos em pregos nem pelo universo cultural da vila durante 30 anos.
Razão, emoção e vontade em harmonia. Inteligência e afetividades não divididas, mas integradas pelo amor a Deus. A vontade em Jesus não está em contradição com sua inteligência e emoção. Assim, a vontade de Deus é feita sem oposição : “ A vontade é a cidadela contra a qual se dirigem todas as forças da tentação, e dentro desta cidadela Jesus rechaçou estas tentações sob a luz de uma inteligência clara e no poder de uma afeição não dividida”.
Seu físico não foi afetado (depois de 35 anos nos aposentamos, Jesus após 30 anos de trabalho começou seu ministério). Ao invés de falência física, Jesus estava crescendo durante esse tempo em Nazaré.
Intelecto, emoção e vontade formados pela consciência de Deus, e não pelas batidas repetidas de martelos em pregos nem pelo universo cultural da vila durante 30 anos.
Razão, emoção e vontade em harmonia. Inteligência e afetividades não divididas, mas integradas pelo amor a Deus. A vontade em Jesus não está em contradição com sua inteligência e emoção. Assim, a vontade de Deus é feita sem oposição : “ A vontade é a cidadela contra a qual se dirigem todas as forças da tentação, e dentro desta cidadela Jesus rechaçou estas tentações sob a luz de uma inteligência clara e no poder de uma afeição não dividida”.
Seu físico não foi afetado (depois de 35 anos nos aposentamos, Jesus após 30 anos de trabalho começou seu ministério). Ao invés de falência física, Jesus estava crescendo durante esse tempo em Nazaré.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
TEOFOBIA
"Teofobia". Neologismo: medo de Deus. Aversão a Deus. Rejeição a Deus. Seria um passo a mais no movimento de se esconder de Deus. De fingir-se que Ele não está perto, ou que não se está ouvindo Sua voz. Essa reflexão vem do momento em que Adão, nu e escondido no paraíso, responde a Deus que por estar nu, teve medo.
Medo primitivo em relação a Deus, pai de todos os medos. Nessa condição humana, a voz de Deus não é um chamado á comunhão no fim do dia. Não é a voz de um pastor, conhecida, amigável, nem é transmissora de segurança e paz. Ouve-se, essa qualidade não foi perdida, mas o resultado é a perturbação da alma, a insegurança, o autonomismo que produz o medo.
Contudo, a voz de Deus não mudou. Mas a percepção humana havia mudado, sim.
A teofobia tem se multiplicado por conta da multiplicação da humanidade sem relacionamento com Deus.
Mas a mensagem de vida dos profetas e dos apóstolos é para a vida com Deus, e no Novo Testamento é revelado como se vive esta vida: a partir de uma nova humanidade i.e., a de Cristo.
Jesus exemplifica uma humanidade sem teofobia, mas em harmonia com Deus. Está na "oração do Pai Nosso". "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu". Enquanto habitante da terra, Jesus alcança o céu, sabendo que ambos N´Ele estão unidos. Não há medo aqui. Pode então, invocar a existência do reino de Deus.
"O perfeito amor lança fora todo o medo", escreveu o apóstolo João. Se ele aplicou isso a sua vida, como creio que aplicou, por isso pode ver a Revelação. Pode estar numa ilha enquanto sentenciado pelo Império Romano, e mesmo assim, entrou no céu, no céu que um dia descerá, e como Jesus orou, céu que virá para constituir tudo novo. Será que é pela falta de teofobia em João, que seu apocalipse está cheio de "vi", "ouvi"? João não só vê e ouve, como pergunta, chora, se emociona, participa. Torna-se inclusive, o cronista da tudo o que vive. Sem medo ouviu Jesus, e foi chamado a entrar nas moradas de Deus.
Portanto, não pode haver teofobia em quem nasceu de novo.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Realmente insubstituível
"Theres is no substitute for Theology". Quem escreveu isso foi A. W. Tozer em um de seus artigos. Respondia então, porque a Teologia estava tão "desinteressante" para o mundo materialista e humanista de quase 60 anos atrás (Que dirá hoje...). Não que a Teologia tenha perdido sua importância, mas seu desfavorecimento se deve ao fato das pessoas se esconderem de Deus, e assim para viverem em paz consigo mesmas, melhor esquecerem que não estão em paz com Ele. Claro. Faz sentido. Dá para entender melhor certos comportamentos.... dos de fora, e pior dos de dentro. Sem Teologia a cabeça não regenerada torna-se uma usina do existencialismo. E sem Deus a quem tenha de se responder pelos pensamentos e ações, não há responsabilidade. Não há nem fatos, porque se "nada fiz", logo "nada aconteceu".
Mais ainda: para quê me importar com assuntos teológicos se ao procurar saber sobre o amor de Deus, aprendo que devo prática-lo e não apenas conhece-lo? Para que investir tempo e aprofundar-me sobre o caráter santo de Deus, se ao olhar para aquela luz, não será possível me acomodar prazerosamente em meio ás trevas?
"The secret of life is theological and the key to heaven as well. We learn with difficulty, forget easily and suffer many distractions. Therefore we should set our hearts to study theology", disse o Pr. Tozer.
Tozer é um mestre e pastor no sentido de guiar pelas "antigas veredas" do caminho santo.
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