Arqueologia como ciência que busca as origens, as raízes ocultas pelo tempo. O trabalho de desencavar e trazer á luz algo antigo, mas que novo se torna. Uma tentativa de se fazer a arqueologia de alguns saberes, tais como das Escrituras; da vida cristã; do político e da cidadania; do cultural; do texto, seja ficção ou não; da Teologia.
sábado, 29 de fevereiro de 2020
O Jesus dos Evangelhos
Ele surgiu e atuou durante três anos.
Os evangelistas falam nada ou pouquíssimo sobre sua vida nos trinta anos anteriores. Sabe-se que viveu em Nazaré e que era carpinteiro, filho de Maria e de José. Este dado da paternidade para incluí-lo na linhagem de Davi, de onde viria o messias prometido.
Nos três anos em que atuou, vê-se nos textos com nitidez o que ele fazia:
Curava pessoas de todas as enfermidades. Exorcisava demônios e curava pessoas de perturbações mentais. Ressuscitou pessoas também.
Onde Jesus estava havia muito barulho de pessoas procurando seus milagres instantâneos.
Mas não se identificou apenas como milagreiro e exorcista.
Também alterou o estado das coisas ao transformar água em vinho, andar sobre as águas, dar ordens aos ventos e as ondas para que se acalmassem.
Ensinava sempre. Fazia muito uso da palavra. Os textos dizem que as pessoas se maravilhavam de seu ensino, porque era dado com autoridade. Porque ele não se baseava em nenhuma doutrina conhecida para validar seu ensino. Além disso, ensinava e usava a palavra com graça. Por isto, Foi identificado com os grandes profetas da história de Israel.
Mas ele não assumiu esta identidade, tampouco.
Como mestre ele não pertencia a nenhuma das facções do judaísmo da época. Por isso, todas as facções o perseguiram. Ele não foi encaixado em nenhuma das religiões vigentes, dentro de seu tempo histórico.
Chamavam-no de mestre, rabi, raboni (Maria Madalena no sepulcro), mas não era de nenhuma escola.
Multiplicou pães e peixes e alimentou multidões. Queriam coroa-lo como rei. Ele saiu fora disso. E ainda mandou embora quem achasse que essa era a missão dele na terra. Enigmaticamente disse que o pão era a sua carne e que a bebida era seu sangue. Muitos foram embora na hora. Restou apenas os doze e possivelmente os mais próximos.
Em seu tempo a Palestina era um barril de pólvora político tudo sob o poder impiedoso de Roma. Razões haviam para se fazer justiça principalmente aos mais fracos e oprimidos.
Ele tinha oportunidade de ficar de qualquer lado se o que chamava de justiça (Sermão do Monte) usasse como veículo alguma das posições á escolha. Em seu seleto grupo tinha um zelote (seita radical que aceitava matar o inimigo para expulsa-lo da terra santa) e um publicano (ex-funcionário cobrador de impostos corrupto e opressor do povo).
Ele vivia entre os mais pobres : camponeses, artesãos, pescadores, soldados, e disse que para os tais estava sendo pregado o Reino dos céus. Ele não era camarada dos sacerdotes e escribas de Jerusalém, e quando ia lá tinha problemas com eles. Quebrou as bancadas dos cambistas. Disse que o templo cairia. Pregava dentro, nas festas, quando templo estava lotado de peregrinos.
Mas no Sinédrio (tribunal judaico ocupado pela elite econômica e social da Judéia) deles tinha seguidores de Jesus como José de Arimatéia e Nicodemus. Isso mostra que Jesus não fechava as portas para quem o procurava por ser da classe A ou B. Ele não tinha ódio de ricos ou de classes. Amou um jovem rico que disse ser cumpridor de todos os mandamentos. Jesus disse para ele dar tudo aos pobres e segui-lo. O jovem não conseguiu. Então dinheiro não era a motivação de Jesus.
No grupo de seguidores de Jesus também tinha mulheres. Inclusive que algumas que o sustentavam financeiramente, pois ele e seu pequeno grupo só viviam nestes três anos cumprindo este ministério. Mas as Marias, largaram tudo para seguir o rabi.
Então quando o quiserem eleger como líder das massas oprimidas, de seus seguidores curados e tumultuadores da pax romana, ele não quis.
Aí começou a dizer que sua missão era chegar em Jerusalém e DAR sua vida. Esta missão inclusive não seria coisa da cabeça dele, mas como missão determinada por seu Pai. Ninguém entendeu.
Só depois da ressurreição, que também está nos quatro evangelhos, é que se vê um Tomé dizendo a ele : "Senhor meu e Deus meu!".
E até hoje é difícil entender. Porque é difícil enquadrar Jesus num molde da história que estiver acontecendo. Por isso, o colocam em cenários ou situações ás quais nos evangelhos, ele não se encaixa.
Os evangelhos são a base tanto para o Jesus da fé, quanto para o Jesus histórico. E nestes evangelhos ele é o que está lá.
A menos que se invente um Jesus tanto para a fé quanto para a história.
Aí vale tudo, ou pelo menos tudo que não tenha de responder a nada a não ser a si mesmo.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
https://www.youtube.com/watch?v=UrpTtvzUwI8&t=19s
Nesta aula vamos entrar em um tema muito importante para uma compreensão de Jesus Cristo.
É necessário se retirar da vinda de Jesus, seus os possíveis significados.
Um destes significados abordados aqui é a nova humanidade a qual se forma com a vinda de Jesus ao mundo.
Aula 1 -A necessidade de Cristo ao centro - Canal do Ramon
https://www.youtube.com/watch?v=qgrtluJC5zY&t=6s
O eixo central para a fé cristã, é a Pessoa de Jesus Cristo. Isso é óbvio. Porém, vamos notando a ausência de Jesus no meio da fé cristã muitas vezes, na história. Isso tem criado um cristianismo sem Cristo, ou com Cristo abaixo da tradição que o cria ou mantem.
Nos tempos atuais isso fica muito claro, bastando uma mínima observação em todos os discursos cristãos. Portanto, falta á geração atual algum conhecimento mais embasado nas Escrituras e por que não, na própria tradição cristã, sobre quem é Jesus Cristo.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Diz o Lewis sobre o Subjetivismo e como ele iria passar a influenciar o juízo de valores, por exemplo, e até mesmo o modo de se fazer ciência:
"O cientista tem de aceitar a validade de sua própria lógica (em resistência á velha forma de Platão ou Spinoza) mesmo que seja sua lógica seja simplesmente subjetiva e por isso, daqui para a frente ele só poderá flertar com o subjetivismo. É verdade que este flerte, ás vezes, pode dar em algo muito bom. Existem cientistas, ouvi dizer, que retiraram de seus vocabulários as palavras verdade e realidade e não se espere da finalidade de seus trabalhos, mostrar o que há lá, mas simplesmente se adquirir resultados práticos. Isto é, sem dúvida, um sintoma mau. Mas, de maneira geral, o subjetivismo é um parceiro incômodo que, o perigo para a pesquisa, neste âmbito é continuamente frustrado.
Mas, quando vamos para a razão prática os efeitos ruinosos podem ser encontrados operantes em plena força. Quero dizer por razão prática nosso julgamento de bom e mau. Se você se surpreendeu por eu ter incluído isto sob a hierarquia da razão, deixe me lembra-lo que sua surpresa é em si mesma, um resultado do subjetivismo, do qual estou argumentando. Antes dos tempos modernos nenhum pensador de primeiro nível jamais duvidou que nossos juízos de valor fossem juízos racionais ou que eles descobriam fosse subjetivo. Isso passou a ser usado para garantir haveria uma oposição á tentação da paixão, não apenas aquele sentimento, mas á própria razão. Assim, o pensamento de Platão, Aristóteles, Hooker, Butler e Dr. Johnson. A visão moderna é muito diferente. Esta não acredita que os juízos de valor são realmente juízos no sentido absoluto. Eles são sentimentos, ou complexos, ou atitudes produzidos em uma comunidade pela pressão de seu ambiente e suas tradições e deferem-se de uma comunidade para outra. Dizer que algo é bom é simples expressar nosso sentimento a respeito disto; e nosso sentimento a respeito disto é o sentimento ao qual fomos socialmente condicionados a ter" - Pps. 72/73.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Ressurreição; Nova Vida; Resiliência
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
ENTÃO, É NATAL!
"Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação" - Paulo de Tarso (Colossenses 1:15)
"Quis (Cristo) nascer hoje no tempo para levar-nos até à eternidade do Pai. Deus fez-se homem para que o homem se fizesse Deus... O homem pecou e converteu-se em réu; Deus nasceu como homem, para que fosse libertado o réu. O homem caiu, porém Deus descendeu. Caiu o homem miseravelmente, descendeu Deus misericordiosamente; caiu o homem pela soberba, descendeu Deus com sua graça"
(Santo Agostinho - Sermão 13) - Agostinho de Hipona. Fonte: http://agustinianum.blogspot.com.br/2006/12/natal-segundo-santo-agostinho.html
O mesmo fato é afirmado no evangelho de Lucas, onde lemos a respeito da aparição do anjo Gabriel a Maria. Após o anjo ter-lhe dito que ela teria um filho, Maria disse: “Como acontecerá isso, se sou virgem?” O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1. 34,35; cf. 3.23).
terça-feira, 12 de novembro de 2013
MARCOS 16
Mulheres foram ao sepulcro. "Diziam umas ás outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo?"
A sequência é dramática. Se Marcos é o primeiro dos evangelhos a ser escrito, mantem a característica de ser uma revelação. Este momento devia ser o clímax, quando lido nas igrejas. Este devia ser o clímax do Evangelho. Aquela morte trouxe algo extraordinário ao mundo. Se a Encarnação de Deus já seria o máximo, Sua vida terrena, Sua morte voluntária e expiatória...culminaria num novo cenário para o mundo: Sua ressurreição.
"Quem nos removerá a pedra do sepulcro?" se torna uma pergunta emblemática nos dias atuais. Como veremos Jesus Cristo, e este ressuscitado?
terça-feira, 23 de julho de 2013
CULTIVO
Isto é verídico tanto para a vida pessoal cristã, de quem já recebeu o Espírito Santo na salvação e testifica que o mesmo está trabalhando em sua vida (caráter, como alvo de deste testemunho); quanto para o testemunho da vida cristã no Corpo de Cristo que é a Igreja.
O trabalho pastoral é intenso: tem de cuidar de si mesmo, como recomenda Paulo, e cuidar do jardim do Senhor. Como agricultor sua alegria está na esperança: a árvore dará frutos ( "não importa que o fruto da oliveira minta", como disse o Habacuque); e no presente cada sinal de fruto é motivo de alegria.
Sinal de fruto pode ser um raminho que não morreu com a última investida de uma velha ou nova praga. A vida continua. Algo novo está brotando e por isso vale a pena cultivar. E claro, muita fé e sobretudo amor como virtude a ser cultivada, ainda na leitura do Wright.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Jesus Cristo : A Tentação
Reflexão a partir dos relatos dos Evangelhos sobre o momento em que Jesus foi ao deserto, depois de seu batismo, para ser tentado.
Alguns pontos no conteúdo dos slides podem mudar vários conceitos que estão arraigados na cultura cristã:
É parte do plano da redenção: Seu Filho, Filho do Homem, precisava vencer onde o primeiro homem perdeu. A novo mundo de Deus está sendo estabelecido passo a passo ( neste caso nos passos de Jesus Cristo);
satanás foi desafiado e confrontado por Jesus. Geralmente, temos a noção que foi levado lá pelo diabo. Embora os evangelhos digam que foi levado pelo Espírito. Olhando o conflito pela iniciativa de Deus, entendemos melhor o porquê da tentação. Não se trata "apenas" de Jesus ser tentado e não cair. Trata-se de restauração da imagem do Deus Trino na terra que Ele criou.
Depois, os significados, resultados e aplicações da vitória de Jesus sobre a tentação são muito relevantes para a vida humana redimida em Cristo.
Se Cristo for o modelo a ser seguido e não a cultura criada em nome Dele, sua vitória sobre a tentação no deserto, será mais efetiva nas pessoas, principalmente as que professam segui-Lo.
(Fonte p/ os slides: Las Crisis de Cristo - Campbell Morgan)
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Ressurreição (1)
O insight aqui, que contou com grande ajuda do livro de N.T. Wright ( Surpreendido pela Esperança), primeiramente é que assim Jesus mostra que a nova vida, demonstrada por Sua ressurreição, tinha começado. A ressurreição não se torna assim, mitológica ou lendária. O novo grupo que surgiria, que ficou conhecido como igreja, não teria um mistério ou mito ou algo assim para basear sua crença principal. Era preciso haver testemunhas de que uma nova humanidade tinha sido inaugurada em Cristo. Alguém tangível, podendo ser percebido pelos sentidos do corpo, tato, visão, audição, olfato e paladar....alma ( "não nos ardia o coração, quando ele pelo caminho nos falava?") e espírito ("quando nos expunha as Escrituras?")
Deus mostrava Sua criação mais uma vez, dessa vez através do Homem perfeito, que vencera onde o primeiro falhou.
Segundo: a ressurreição deixa de ter apenas o caráter futurístico ou escatológico. Jesus ressurreto mostra que o futuro de fato já começou. Ser discípulo cristão é viver nascido de novo em Cristo. Realidade obtida pela ressurreição de Cristo que é transferida ao que creu, pelo Espírito Santo (posteriormente, após o pentecostes).
Terceiro: vejo o cumprimento da oração do Pai nosso, se cumprindo nesses dias em que Jesus depois de ressuscitado pisou na terra: "Venha o teu Reino" - Ele trouxe o Reino, agora - "Assim na terra como no céu" - rompeu a separação entre céu e terra. Agora é "assim", da mesma forma, na terra e no céu. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje"....
Isso é o quarto ponto desta meditação: Peixes, pães, favo de mel em vilas, cidades e reuniões entre amigos passam a ter a presença de Deus. Não são mais realidades separadas de Deus, coisas simplesmente terrenas. Deus está na terra tocando essas coisas e assim as ligando Consigo na Sua nova criação.
Conclusão: "Portanto, já não vivo eu, mas Cristo vive em mim". E antes de ser mais uma religião com seus mitos e suas crenças, ser cristão é viver a nova vida assim na terra como no céu.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Novo Homem
Intelecto, emoção e vontade formados pela consciência de Deus, e não pelas batidas repetidas de martelos em pregos nem pelo universo cultural da vila durante 30 anos.
Razão, emoção e vontade em harmonia. Inteligência e afetividades não divididas, mas integradas pelo amor a Deus. A vontade em Jesus não está em contradição com sua inteligência e emoção. Assim, a vontade de Deus é feita sem oposição : “ A vontade é a cidadela contra a qual se dirigem todas as forças da tentação, e dentro desta cidadela Jesus rechaçou estas tentações sob a luz de uma inteligência clara e no poder de uma afeição não dividida”.
Seu físico não foi afetado (depois de 35 anos nos aposentamos, Jesus após 30 anos de trabalho começou seu ministério). Ao invés de falência física, Jesus estava crescendo durante esse tempo em Nazaré.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
TEOFOBIA
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Realmente insubstituível
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A Encarnação de Cristo - Christ Incarnation
Para não cair no lugar-comum da crítica sem solução, então passemos a falar de Cristo. A buscar pelas Escrituras, e em autores "esquecidos" como Campbell Morgan, alguns significados da Encarnação de Cristo.
Poucos autores hoje ( pelo menos best-sellers, daí fora das prateleiras) escrevem sobre os grandes insights da Teologia Cristã, como a Encarnação. Mas toda a Teologia Cristã fica comprometida se não se compreende porque Deus teve de se tornar Homem, em carne e osso.
A forma quase gnóstica como Deus é adorado atualmente, é resultado direto do não conhecimento, meditação e práticas cristãs do que significa a Sua encarnação.
Falando de Jesus
Há outra tendência: os que criticam esses comportamentos. Eticamente corretos, criticam, publicam, afastam-se das igrejas, querem mudar suas formas. Não é nada disso, nem daquilo. Mas desses também não ouço falar de Jesus Cristo desse lado do oceano cristão.
Cristianismo sem Cristo.
A esperança de tudo isso mudar, para mim, é a seguinte: Ele está presente. Desde que ressuscitou e enviou Seu Espírito, está presente. Por isso, enquanto estiver presente, há esperança. Aquela que Paulo nomeou aos Colossenses: "Cristo em vós, a esperança da glória".
Cristo se tornou um mistério.
O lado bom disso é que aos que O querem conhecer, as Escrituras e o Espírito estão ao nosso alcançe.
"Resolvi nada saber entre vocês, a não ser Cristo", disse o apóstolo. O apóstolo. Apóstolo é aquele que é enviado para trazer a revelação de Cristo. De Cristo, não de coisas passageiras, como a glória no rosto de Moisés.
Então, quero ir ao encontro de Cristo das Escrituras. Assim crendo, não sofrerei a angústia do ministro de Candace, na sua liteira e lendo Isaías: "De quem o profeta está falando?"
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A revelation to the romans
Como de fato se consolida a vida cristã? Como de fato tenho certeza de que estou vivendo algo mais com Deus, com a espiritualidade, com o mundo visível, desde que me tornei cristão?
O cristianismo está cheio de fórmulas e clichês. Pode parecer, mas isso não é de hoje. É coisa de séculos. A diferença é que na pós-modernidade não há longa duração de uma concepção teológica, a ponto de se tornar parte de uma cultura.
Quando alguém se converte, aliás desde o momento de sua conversão, são apresentadas fórmulas: "Aceite que sua vida vai mudar"; "É só aceitar Jesus"; "Você vai receber a vitória seguindo Jesus...(aqui nesta igreja X ou Y)"; "Procure o poder do Espírito Santo para derrotar..." etc.
Acontece que tirando a graça e a misericórdia transformadoras de Deus, estas fórmulas com o tempo, parecem que não resolvem. Parece que a vida mudou em algum sentido, mas não pleno, não como "sinto" que deveria ser.
Então, encontramos em Romanos 6 o caminho: "fomos pois sepultados com ele na morte pelo batismo; para que como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida(...) sabendo isto: que foi cricificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos".
Isso não é uma fórmula para se viver feliz. É o caminho para ser cristão. O primeiro passo neste novo e vivo caminho é considerar-se morto com Cristo, em sua morte, pelo (meu) batismo. E mais ainda pela fé, sabendo que já estou ressuscitado para uma nova vida sem necessariamente a realidade do viver pecaminoso. Minha vida foi "zerada". Nasci de novo. Não simplesmente entrei para a igreja evangélica para ter experiências por lá.
No slide anexo há uma representação de Romanos 7: "porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido á escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim". Porque Paulo começa a tratar do tema que esta nova vida é para ser desenvolvida de forma diferente. Mas muitos cristãos.... milhares....vivem no desespero de Romanos 7. Então procuram a Lei ( que é boa e espiritual, segundo o texto), para se abrigar, para fugir da imoralidade, das velhas lembranças, da procrastinação, das mentiras, das falhas, dos deslizes, da ira, da maledicência... do pecado enfim....
Acontece que a Lei ao ser invocada, e ela é invocada no cristianismo toda hora... a Lei é algo incompreendido e mal usado no cristianismo.. ao apelar-se para a lei, na tentativa de me libertar do pecado, a única coisa que ela pode fazer é mostrar que estou (e que sou ) no pecado. É a sua função básica. Aí que muitos caem. Outros fazem da Lei uma parceira, ou uma trincheira para viverem escondidos de seus pecados, como se eles não houvessem mais. Aumenta a culpa. Aumenta a carga... aumenta o crédito do pecado. Porque a Lei sempre vai me mostrar o final de tudo isto: "o salário do pecado é a morte".
Mas....não estou morto com Cristo? Não está escrito que o corpo do pecado está destruído?
Sim. Aí que devemos apelar para a obra de Cristo na Sua cruz. Nesta luta entre minha consciência cristã para o bem, e dos meus membros para o mal que não quero fazer, não é a Lei que me salva, mas a graça da cruz. O perdão, a redenção, o morrer com Cristo, como foi vivido no drama do batismo. E seguindo o roteiro do mesmo drama: estou ressuscitado com Cristo.
Esse é o poder incutido pelo Espírito Santo, para que o corpo do pecado seja morto, completamente aniquilado e assim desfeito o seu poder de atuação em minha nova vida cristã.
E isso nos leva a Romanos 8. A vida cristã não é pela Lei, nem por fórmulas mágicas, ou humanistas, ou por auto-ajudas, nem por "auto" algumas. Onde antes havia o poder da Lei, agora há a Pessoa do Espírito Santo. É para Ele que apelo. É Ele quem vem andar comigo nesta novidade de vida. Quando meus membros quiserem se rebelar e me tentarem me carregar de volta ao pecado deste mundo visível ou invísivel, O Espírito Santo vai operar em mim. Vai trazer a morte e a ressurreição de Cristo como uma realidade. Ele vai confirmar a vitória sobre a carne com paz... Cessa o conflito interior, entre meu ser interior e meus membros. Cessa o conflito entre eu e as outras pessoas. Já não há mais transferência de culpas e acusações. Essa paz...a paz que o mundo não conhece porque não pode me dar.
Assim juntos, estarei sendo preparado diariamente para o Encontro, para a Transformação na Eternidade. Enquanto isso sou testemunha da presença viva de Cristo na Terra. Ele está atuando. Desde que subiu ao céu depois de Sua ressurreição, enviou o Espírito Santo e assim há, como diz o N.T. Wright o ponto de encontro entre o céu e a terra.
Quando a Igreja de Cristo não for mais um lugar do desenvolvimento de teorias, filosofias, esquemas e fórmulas... quando nós vivermos nessa plenitude do Espírito e não da condenação da lei...o mundo conhecerá o Evangelho.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Como os Cristãos da Modernidade viveram o que antes era apenas Teologia
Voltando ao mundo europeu moderno, a teologia reformada tornou-se assim, mais dogmática e legalista do que experimental e menos inspirador de atitudes libertárias, no sentido de rompimento com o esquema secularizado. Os anabatistas que o digam.
E alguns cristãos, principalmente a partir do século XVII questionaram esse contexto, ao trazerem á cena religosa algumas práticas ás vêzes esquecidas, mas nunca perdidas na história do cristianismo. Essas práticas cristãs revitalizadas no séc. XVII ficaram conhecidas como Pietismo.
Foi uma leitura da Reforma por pessoas e grupos que queriam colocar em prática seus princípios, mas apelando para o sentido individual na busca por Deus. Daí as práticas de piedade: Meditação; oração; Leitura da Bíblia ( sem a interpretação dos teólogos pagos para isso, e fiscais do governo); e além do individualismo piedoso também promoviam reuniões em grupos pequenos para tornar meditação, oração e leituras da Bíblia, uma expressão comunitária.
Portanto, um exercício de sacerdórcio universal dos crentes.
Conseguiram drenar a corrente protestante para caminhos "novos". Avivamentos e re-avivamentos da religião cristã ocorreram debaixo do crescimento dessas práticas.
Do século XVIII ao presente, ainda estão presentes nas práticas cristãs, principalmente da linha reformada, os reflexos da cultura pietista.
A correnteza parece fraca hoje...as vêzes um fio....mas a alma pietista (ou piedosa?) está por aí.
sábado, 24 de janeiro de 2009
O Grão de Trigo_3/ Por Ramon

Atingir a Estatura de Cristo deve ser a meta de todo aquele que não quer simplesmente passar a vida dentro de uma religião que fala e ensina sobre Jesus.
Para atingirmos a Sua Estatura ( Efésios 4 :1-14), necessário é nascermos de novo, não da vontade do homem, nem da carne, mas da vontade de Deus.
Para isso Jesus morreu numa cruz, levando a humanidade decaída à morte, e trazendo uma nova natureza para o ser humano em Sua ressurreição.

O Grão de Trigo_2/ Por Ramon
A Vida com Cristo é muito mais do que uma religião. É mais do que seguir um Líder religioso. O sentido maior desta vida é que Ele morreu, ressuscitou e a Vida com Ele é morrer com Ele e ter uma nova vida com Ele. Entendemos melhor porque Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a VIDA". Religião nenhuma pode afirmar e garantir isto.Mas há um caminho a ser percorrido, que começa em Sua cruz.Se nossa velha natureza não morrer em Cristo, o Novo Homem, ficamos sós. Mas se morrermos como a semente, produziremos muitos frutos.



